Diferentemente do ocorrido na eleição de 2.000, a mobilização dos eleitores no primeiro turno do atual pleito foi muito pequena – reflexo do desinteresse da maioria da população – e deve servir de alerta às autoridades.
Certo é que a esse desapego do povo devemos somar outros fatores, como a descrença na classe política, que tem sua imagem desgastada junto à população, e o sentimento de indiferença dos eleitores, que vêem no voto apenas uma obrigação e não um instrumento de transformação – talvez o único – capaz de mudar a vida em sociedade.
Para reverter este quadro, primeiramente, é preciso conscientizar o eleitor da importância do voto, esclarecendo também quais as funções dos postulantes aos cargos a serem preenchidos no pleito, principalmente no que toca aos proporcionais, como é o caso dos deputados federais e estaduais. O eleitor precisa saber para que serve um deputado e o que pode ser feito por ele quando eleito. Em outras palavras, precisa saber sua competência. Competência, aqui, empregada nos dois sentidos: competência dele candidato e competência atribuída ao cargo por ele pretendido.
Isto porque não raras as vezes, assistimos no horário eleitoral gratuito, candidatos a deputado estadual prometendo reformas no Código de Processo Penal, ou postulantes a uma vaga na Câmara dos Deputados pretendendo desempenhar tarefas privativas do chefe do Poder Executivo. Esse desconhecimento por parte dos candidatos – que prometem o que querem e o que não poderão cumprir – acaba refletindo direta e negativamente nos eleitores.
Mas por que devemos ter esta preocupação? Primeiro, para que não tenhamos ameaçado o Estado Democrático de Direito em que vivemos. Segundo porque serão os deputados, como membros do Poder Legislativo e representantes do povo – que exercendo sua função típica – elaborarão as leis. E, como assinala com justeza Recaséns Siches, a lei atua como “muro ou cerca” impedindo que os interesses de um homem ou de um grupo e, mais que todos esses interesses, o do respeito à sua liberdade, sejam esmagados por outros interesses, por outros indivíduos ou por outros grupos. Portanto, o sentimento de Justiça e, principalmente, o ressentimento contra a injustiça é que serve como pano de fundo para gerar a norma. Para alcançarmos este ideal precisamos eleger representantes à altura de nossos anseios e objetivos, que estejam capacitados para este fim.